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Pais ou filhos, quem sofre mais na hora da separação?

Atualizado: 8 de Mai de 2019




Durante o período de adaptação da criança à escola, algumas vezes tenho a oportunidade de traduzir para os pais uma enorme contradição de seus sentimentos. Embora contentes por verem seu filho brincando com outras crianças e iniciando um vínculo afetivo com a professora, eles sofrem com a separação e a constatação de que aquela pessoinha está dando seus primeiros passos em direção ao mundo.

O sofrimento materno, por vezes, é tão forte que acaba prejudicando a adaptação, pois a criança sintoniza com ele e fica dividida entre ficar ou não na escola. Em casos extremos, a mamãe recua e desiste da matrícula, adiando a separação.

Longe de se tratar de fraqueza ou perturbação, esses sentimentos contraditórios merecem toda a minha atenção e respeito. Estou convencida de sua grandeza e do esforço genuíno que a mamãe faz para superá-lo. Não se trata, como pode parecer, de uma dificuldade de  cortar o cordão. A jovem mãe que está colocando seu filho pequeno na escola, sem saber, está indo contra uma prática secular. Talvez até a geração de sua mãe ou, certamente, a de sua avó, as mulheres de sua família ficavam em casa, cuidando dos filhos e afazeres domésticos. Do ponto de vista histórico, ainda é recente a saída da mulher de casa para o trabalho profissional nas classes sociais em que não há necessidade premente do salário feminino. Nossas ancestrais zelavam pessoalmente pela saúde, higiene e educação de suas crianças pequenas. Quando a mulher moderna cuida de sua carreira profissional e terceiriza os cuidados com os filhos, toda a carga de ainda ser quase uma pioneira em fazer isso recai sobre seus ombros e a dor da separação torna-se  arrebatadora.

Ao decidir pela matrícula no Berçário ou Maternal é preciso refletir que também há uma questão histórica  na constituição dos sentimentos contraditórios que acompanham a fase de adaptação. Aliás, quanto menor a criança, maior é a importância do período de adaptação. Não só para elas, mas para suas mães.


Vailde Almeida é pedagoga, psicóloga e Mestre em Educação.

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